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As primeiras impressões de ‘iZombie’, a boa aposta da CW

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Em setembro, completarão 9 anos do nascimento da rede de TV norte-americana The CW. Para aquele telespectadores que, como eu, tem mais de 30 anos – que não são o target do canal, focado no público teen – não há muito o que celebrar. Nascido da fusão dos canais The WB (da Warner) e UPN (uma segunda emissora da Viacom), a ideia inicial era que da união dos dois canais, aumentando a penetração no território americano e unindo dois bons mix de séries, teríamos uma nova grande rede de TV. Não aconteceu.

A estreia do canal foi frustrante e também traumática, porque, sem espaço na grade para tantos shows, acabou provocando o cancelamento de séries como a cultuada Veronica Mars. E a primeira leva de novos programas foi um fracasso. A verdade é que CW emplacou poucos sucessos nestas nove temporadas: Gossip Girl foi o maior fenômeno pop e The Vampire Diaries a mais cultuada. A lista de fracassos é maior: tentativas infelizes de navegar em sucesso de antigas séries como Melrose Place e Sex and the City, aposta em antigas estrelas teen, como Mischa Barton e Sarah Michelle Gellar e o investimento sem sucesso em produções de terror e sci fi.

A boa notícia é que, nove anos depois, o canal parece ter encontrado a fórmula. Os vampiros e as séries baseadas em super-herói construíram uma audiência base sólida. Produções do canal que pareciam sem futuro, como The 100, acertaram o rumo. E a aposta na telenovela latina Jane the Virgin deu ao canal a credibilidade de crítica que eles até então não tinham encontrado.

É neste cenário que o canal apresentou sua primeira estreia de ficção da mid-season, iZombie, com boa performance e desempenho promissor. iZombie também bebe na fonte dos quadrinhos da DC Comics, mas a proposta é outra. Aqui, no lugar dos super-heróis da Liga de Justiça, temos uma produção baseada no selo adulto Vertigo (o mesmo de onde saiu Constantine) e com um fórmula que remete ao megasucesso The Walking Dead e também às séries de policiais e legistas que dominam a TV americana.

Liv Moore é uma estudante de medicina que é vítima de um ataque zumbi. Com sorte, ela consegue esconder da família sua condição de morta-viva (apesar da palidez e da falta de interesse na vida) e manter sua condições trabalhando como legista no necrotério, com acesso livre a cérebro humano. O plot é puro realismo fantástico e a ideia mais original executada pelo canal desde a finada Reaper.

iZombie

Pra série se manter num formato semanal, a série possui um forte elemento de procedural drama. Ao comer um cérebro, Liv passar a ter lembranças e a replicar características da personalidade dos mortos. Ganha assim a sua motivação: ajudar as vítimas de crimes a ter justiça. Completando a história, a série tem um elenco de apoio formado pelo legista Ravi Chakrabarti (o único que sabe o seu segredo), o policial Clive Babinaux e a família de Liv, incluindo o noivo bonitão que ela acabou abandonando, por motivos óbvios.

O bom piloto da série pode ser explicado pela produção executiva de Rob Thomas e Diane Ruggiero-Wright, dois nomes ligados a saudosa Veronica Mars. São produtores inteligentes, com bom conhecimento de cultura pop e roteiristas que tentam fugir do óbvio.

A atriz Rose McIver também é um trunfo da série. Vinda da Nova Zelândia, e com um longo currículo de atriz-mirim (aos 6 anos atuou em Hercules e depois em Xena), ela vem ganhando espaço nos EUA com passagens exitosas por séries como Once Upon a Time (onde fez o papel da fada Sininho) e Masters of Sex. Rose tem o carisma e a graça necessária para este inédito papel de protagonista-zumbi.

iZombie possivelmente não terá a vida longa de The Vampire Diaries, ganhará um Golden Globe como Jane the Virgin ou gozar dos sólidos indíces de audiência de The Flash. Mas é divertida o bastante para entrar na grade de programação de qualquer um e a prova que a The CW, finalmente, encontrou o caminho.

* * *

iZombie estreou nos EUA no dia 17 de março. No Brasil a série ainda está inédita.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

5 Comments

  1. Claudia Braga

    Vi o primeiro episódio e também gostei! Tomara que passem por aqui, mas vou acabar catando por aí pra continuar a ver.

  2. pedroluiz02

    começou engraçadinha ( apocalipse zumbi só naquele barco ? ) o 1o episodio foi digerivel , digestivel , mas o 2o uma bomba , não convence…Não vejo futuro

  3. Paullo Mendonça

    Nossa que texto, parabéns!!! Concordo com tudo, vou continuar assistindo!!

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