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Especiais Opinião

American Horror Story – Balanço da Temporada

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Sempre me questionei que os atuais filmes de terror estão se tornando mais clichês e baratos que se tornam até engraçados. Inclusive, nem adotando o novo meio de filmagem em 3D, demonstra algum medo ou até temor. Fazia um tempo que eu não sentia calafrios até começar a assistir American Horror Story. Tudo bem que se trata mais de um contexto místico e sexual, do que o próprio terror, mas quem não fica abalado quando suas maiores fantasias se tornam seus principais pesadelos? Essa série consegue aprofundar muito bem esse meio e mostrou que tem toda a potencialidade de continuar na televisão, não só americana, quanto mundial.

Essa primeira temporada girou em torno da família Harmon, constituída por Ben, um psiquiatra que teve um caso com sua aluna de faculdade. Vivien, a esposa de Ben e que sofreu um aborto e Violet, que é a filha adolescente do casal. Para tentarem esquecer o adultério de Ben, a família busca um novo lar para se estabelecer em uma pequena casa macabra. No entanto, a família não imaginava que a casa possuía antigos moradores em seus aposentos, e é a partir daí, que começa todo o conflito da série, isto é, o que ocorre quando você coloca vivos e mortos morando juntos numa mesma casa, onde ambos tem que conviver com a experiência drástica de que essa realidade existe e devem conviver com isso da melhor forma possível? Temos tanto fantasmas bons, quanto maus.

Não foi somente a motivação de um contexto diferente que me chamou a atenção para esta série, mas devo creditar também a suas cenas fortes e que me prenderam a atenção do início ao fim. Quem não travou na cadeira quando o homem com a roupa preta aparecia sem rosto para demonstrar o que pretendia. Ou quando Violet descobriu que na verdade já estava morta há muito tempo. Sem contar a eletrizante e sufocante cena em que Vivien estava entra a vida e a morte. Ficar com o amor de sua vida ou viver para sempre com sua filha amada? Tenho que admitir que Ryan Murphy se superou dessa vez.

Creio que uma das melhores interpretações nessa série foi para Jessica Lange (Constance) que conseguiu interpretar uma personagem forte que viveu gerações sem em um único momento demonstrar valor a própria vida criando até uma contradição se compararmos o fato que ela foi à única personagem de toda a série a continuar viva. Como uma pessoa conseguiu viver por tantos anos sem ao menos se dar conta da quantidade de pessoas mortas que ela presenciou e até mesmo provocou.

É claro que não foi só Constance que brilhou na série. Também tivemos a Moira sexy e velha que mostrou muita a questão da forma como enxergamos as mulheres pela aparência. Inclusive, aparência é um termo que poderia definir a série, já que a maioria dos personagens são guiados apenas por isso. Constance teve dois filhos com síndrome e ambos eram tratados como monstros e Tate que possuía a aparência de um garoto belo, mas na verdade ele ERA o monstro. Quem não sentiu tristeza ao ver Addy morrendo em pleno Dia das Bruxas, enquanto Constance tentava levá-la para o gramado da casa ou quando Moira visitou sua mãe que estava em plena morte e a mesma tentou chamar Moira para vir com ela, mas com seu corpo preso a casa, seria impossível viver em paz.

Sim, American Horror Story nos mostrou mais do que mortos vivendo em uma casa. Mostrou como somos mesquinhos ou até mesmos luxuosos demais com o que temos e esquecemos de valorizar as pequenas coisas. De certo modo, como Violet, uma menina que sempre está atualizada sobre as novidades da musica, conseguirá se manter ativa? Como Nora, uma mulher infeliz com o próprio casamento que sempre sonhou em ter um filho, conseguirá algum dia ter uma família feliz? Coisas ruins geram coisas ruins. E o resultado disso tudo foi o filho do mal que agora está morando em nossas terras. Para quem achou que aquilo foi o final da história deles, vocês estão realmente certos. A verdadeira história americana de terror começa agora.

Séries citadas:

Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade São Judas Tadeu. Nasceu em São Paulo, Brasil, no ano de 1993. Trabalha com desenvolvimento de software na Foster, empresa afiliada a WPP, estuda teatro e desenvolve vários experimentos em seu Laboratório. Assiste Once Upon a Time, Nashville, Downton Abbey e muitas outras.

Website: http://www.mariomadureira.com.br

4 Comments

  1. Fernando dos Santos

    Estou acompanhando pela FOX portanto ainda não vi a temporada completa.
    Uma coisa que me chamou a atenção nos episódios que vi até agora é a maneira irreverente usada para abordar o gênero horror.Neste sentido até me fez lembrar de True Blood que também aborda o gênero dessa maneira brincalhona, sem procurar se levar muito a sério.

    Outra coisa que achei interessante é o fato de cada temporada trazer uma nova história com um novo elenco.Na televisão inglesa eu já tinha visto esse formato em séries criminais como Five Days e Criminal Justice mas na tevê americana acho que é a primeira vez que se faz algo assim.

  2. Bianca Mafra

    Fernando, tentaram isso em heroes, mas sem sucesso.
    eu diria mais, American Horror Story, o terror tava só no início, após foi mais drama que terror propriamente dito, quem não ficou com pena da mulher que so queria o seu bebê ou da moira? até o tate me deu pena, com uma mãe daquelas, quem não iria ter disturbios??? gostei bastante.

  3. Anônimo

    Foi legal mesmo. Pelo nome eu não me interessei, mas, lendo a resenha, resolvi assistir. Bem diferente, nada de clichê.  

  4. Fernando dos Santos

     Mas em Heroes a mudança de elenco nunca chegou a ser total.
    Eles introduziram vários novos personagens na segunda temporada mas muitos personagens do primeiro ano permaneceram na trama até o final da série.

    Em American Horror Story a mudança de elenco vai ser total.É como se cada nova temporada fosse uma minissérie de trama fechada trazendo um elenco totalmente novo.

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