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Reviews

Alcatraz – Garrett Stillman e Tommy Madsen

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Série: Alcatraz
Episódios: Garret Stillman e Tommy Madsen
Números dos episódios: 1×12 e 1x13 (Final de Temporada)
Exibição nos EUA: 26/03/2012

Alcatraz encerrou a 1ª temporada com a exibição dos dois últimos episódios no mesmo dia, pela Fox, nos Estados Unidos. O destaque do episódio Garrett Stillman ficou por conta da doutora Lucy Benerjee. No episódio anterior (Webb Porter) ela acorda do coma em que estava desde o 2º episódio (Ernest Cobb) quando levou um tiro no coração. No entanto, não são muitas as explicações que ela nos traz. O Dr. Diego Soto questionou Lucy do porquê ele nunca ter lido nada sobre uma médica em Alcatraz e ela explicou que o diretor Warden Edwin James manteve a informação em segredo. Lucy também conversou com Rebecca Madsen sobre sua relação com Emerson Hauser e contou que os dois eram muito mais que apenas conhecidos quando trabalhavam no presídio. Segundo Lucy, Hauser não é mais a mesma pessoa que ela conheceu. Até aqui nenhuma surpresa, já deu para perceber que o diretor James tinha muitos segredos e que Hauser realmente é um homem diferente daquele jovem apaixonado dos anos 60.

Lucy volta querendo ajudar a equipe e entrevistar os presos, mas Hauser quer que ela descanse e ainda pretende levá-la para um lugar seguro, bem longe do presídio. A doutora tem um interesse especial em conversar com Ernest Cobb, prisioneiro responsável pelo tiro que a colocou em coma. Ao encontrar com Cobb, ele diz a Lucy que ela “sempre será um alvo”, o que deixa Hauser mais obcecado ainda para levar ela para longe dali. Ficamos sem entender porque agora ela é um alvo se nos anos 60 era a queridinha do diretor James, ou o “poodle” dele, como se referiu graciosamente o Dr. Beauregard na Season Finale. Lucy também volta preocupada com os efeitos do sangue com prata coloidal que recebeu de Webb Porter. A transfusão trouxe Lucy de volta à vida, mas os efeitos da prata no sangue humano ainda são desconhecidos e Dr. Beauregard afirma não poder tirar o metal do sangue da doutora.

Apesar de todo o alvoroço com a volta de Lucy nosso prisioneiro da vez chama a atenção. Ele é Garrett Stillman, preso #AZ-2109, Q.I. elevado, jogador de xadrez e ladrão de carros-fortes. Em menos de dois anos conseguiu roubar doze carros-fortes. Foi um estrategista militar para a S.A.S. Britânica até que imigrou para os Estados Unidos após a guerra. No seu último trabalho, um membro da sua equipe foi preso e entregou Stillman, agora ele não confia em ninguém.

Em 1960 Stillman fez uma parceria com o diretor James e a sua parte no trato era alterar o formulário com a sentença da condicional do prisioneiro #AZ-2173, Harlan Simmons. James quer que o preso seja libertado. Simmons é o mesmo prisioneiro que traiu Call Sweeney no episódio 1×04 e foi levado por James para conhecer uma pessoa que ficava atrás de uma porta extremamente misteriosa que precisava de três chaves para abrir.

Stillman, em uma das mais engenhosas situações de Alcatraz até agora, conseguiu surpreender inclusive James e garantiu que o preso fosse libertado para condicional como o diretor queria. Na despedida de Simmons, James lhe deu um papel com o número de uma pessoa que o ajudaria a se restabelecer fora de Alcatraz e avisou que essa pessoa os colocaria em contato no momento certo. Pareceu um acordo entre os dois, mas na Season Finale Tommy Madsen diz à Rebecca que Simmons não cumpriu inteiramente com o trato. Por esse motivo, Stillman novamente entra em cena em 2012.

Quando volta do “pulo”, Stillman rouba três carros-fortes para uma operação especial a pedido de “alguém”. Pelo que vimos no final do episódio Tommy seria o mandante da operação e provavelmente o diretor James segue comandando tudo por trás dele. Tommy agora quer uma chave, a terceira e última que falta a Hauser para abrir a porta esquisita do diretor James. Hauser só achou a tal porta neste episódio através de indicações de Lucy, mas não tem todas as chaves para abri-la, falta essa terceira, as duas primeiras ele conseguiu capturando Jack Sylvane e Call Sweeney, que voltaram em 2012 com a missão de recuperar as duas primeiras chaves.

Stillman, ressabiado com os companheiros de crime, mata todos que o ajudam na operação logo depois de obter o que quer deles. No entanto, um de seus cúmplices no roubo dos carros-fortes sobrevive e conta à Rebecca e Soto que as armas para o assalto foram conseguidas por Stillman através de alguém que o ajudava. Talvez a mesma pessoa que ajudou os outros 63’s a se adaptarem à época atual, forneceu armas e passou “missões” para alguns presos. Tommy aparece ajudando Stillman neste episódio, mas acredito que não poderia ajudar todos os outros presos porque deu o “pulo” junto com eles. Assim, os presos deveriam ter um ajudante mais influente. Diretor James? Provavelmente, mas acabamos a temporada sem essa certeza.

O desfecho do episódio nos leva novamente para Simmons, depois que ele saiu de Alcatraz virou um bilionário e fundou a empresa Broadway Seguros, uma das clientes da Bynum Security, empresa da qual Stillman roubou os três carros-fortes. Soto descobre a conexão e no início ele e Rebecca acreditam que Stillman pretende roubar dinheiro, mas depois descobrem que o alvo é um pacote especial que contém a terceira chave da porta misteriosa. Simmons atualmente não é visto em público desde os anos 70, é um recluso total e conhecido como um gênio financeiro.

Vale destacar nesse episódio que pela primeira vez foi interessante de ver Hauser, Rebecca e Soto trabalhando realmente juntos para capturar um 63’s. Principalmente as participações de Soto, um tanto engraçadas e inteligentes. Ainda temos outro personagem que aparece neste episódio, chamado de “Fantasma”, Joe Limerick foi dado como morto depois de uma tentativa de fuga de Alcatraz, mas continuava vivo dentro do presídio (por isso o apelido de “Fantasma”). Ele vai atrás de Stillman, rouba a chave misteriosa e é responsável por sua morte. Parece que também está a mando de alguém, quem? Também terminamos a temporada sem essa. O mais interessante é que na história real de Alcatraz alguns presos tentaram fugir e foram dados como mortos, mas seus corpos nunca foram encontrados realmente.

O episódio final começa com Rebecca aparecendo deitada e ferida no chão e logo depois o conhecido truque “36 horas antes…”. Em geral eu não gosto muito desse efeito e em Alcatraz não foi diferente. Logo no início do episódio Rebecca descobre que seu parceiro Will Petters, que foi morto por Tommy no episódio piloto, tinha em sua folha de pagamento a empresa Brodway Seguros (do Harlan Simmons) e por isso estava sendo investigado internamente pela polícia. No final do episódio quando Rebecca encurrala Tommy ele diz que Petters era pago para vigiá-la e por isso ele o matou. Se é verdade ou só uma desculpa de Tommy também não ficamos sabendo.

O episódio mostra o que aconteceu com o avô de Madsen dentro do presídio, mas não chega a ser uma surpresa porque durante a temporada já tínhamos entendido que ele teve muito do seu sangue retirado e depois recolocado com a tal prata coloidal. A novidade é que Tommy foi convidado por James a entrar na porta misteriosa de três chaves e a conhecer um homem que trabalhava lá dentro. O homem misterioso desenvolve um projeto que permite a localização de todos os presos, mesmo que eles estejam soltos em qualquer lugar do país. James quer que Tommy trabalhe com ele neste projeto e agora é claro que o diretor é mandante de tudo que está acontecendo, no entanto ele segue não aparecendo em 2012.

Nos tempos atuais Tommy precisa da terceira chave e vai atrás de Limerick, que se internou em um hospital psiquiátrico espontaneamente. Para conseguir entrar no hospital Tommy invade a casa de uma das funcionárias, rende o marido e obriga a mulher a ajudá-lo. Achei extremamente fraca essa a ideia do sequestro e os dois conseguem entrar muito facilmente no hospital. Além disso, o hospital onde Limerick se interna coincidentemente pertence à Broadway Seguros, empresa de Simmons. Assim como Tommy trabalha a pedido do diretor James, o Fantasma deve estar a mando de Simmons.

Finalmente, na Season Finale, Rebecca e Soto são convidados a entrar na sala misteriosa da equipe de Hauser, ou como Soto a chama “Batcaverna atrás da Batcaverna”. Hauser abre o jogo e mostra as duas chaves que possui e conta que elas abrem uma porta em Alcatraz que antigamente era um calabouço durante a Guerra Civil. Uma terceira chave é necessária para abrir a porta, e eu imagino porque em 2012 não conseguem uma outra forma de abrir sem ser com a chave original. Enfim, Hauser acredita que Tommy está atrás disso e conta a Soto e Rebecca que as chaves são do diretor James, que ele deve estar por trás de tudo isso e Tommy deve trabalhar para ele. Novidades? Nenhuma. Só Soto e Rebecca que ainda não sabiam. A novidade é que a equipe de Hauser acredita que o “pulo” foi causado por um evento geotérmico, possivelmente um deslize de uma placa tectônica. Nada criativo.

Quando Tommy encurrala Limerick no hospital ele diz que pode protegê-lo de Simmons, mas Limerick pula pela janela e morre com a chave escondida. Soto a encontra e decide que ele, Hauser e Rebecca devem descobrir juntos o que há por trás da porta do diretor. No entanto, Rebecca parte para a perseguição alucinante de carro atrás de Tommy e acaba no hospital, esfaqueada pelo próprio avô.

Aliás, um ponto forte do episódio foi a perseguição de carros entre Rebecca e Tommy, uma das melhores que lembro já ter visto. Vale o registro, Alcatraz caprichou nesse quesito e ainda achei um elemento interessante, um fusca verde completamente fora de contexto em meio aos carros mais modernos. E ainda o tal fusca se mete duas vezes no meio da perseguição. Não acredito que foi um erro, deve ter sido um toque proposital. Achei interessante, intrigante como o seriado tentou ser o tempo todo e conseguiu na metade das vezes.

Com Rebecca a beira da morte, Soto prefere ficar esperando na emergência do hospital e Hauser e Lucy abrem a porta misteriosa e descobrem a sala de monitoramento dos presos, onde vários pontos vermelhos mostram pontos de localizações em todo o país, os 63’s estão em todos os lugares. Também encontram desmaiado o homem misterioso que apareceu somente neste episódio trabalhando no projeto de localização dos presos e ele não sabe em que ano está. Acordou só naquela hora do “pulo”?

Durante os últimos episódios Tommy parece que em alguns momentos quis realmente proteger sua família. Como quando obrigou seu irmão Ray Archer a deixar Alcatraz e passou os papéis de adoção de seu filho para ele e também quando matou o parceiro de Rebecca porque ele a espionava (se é que isso era verdade). No entanto na maioria das vezes ele parece o vilão, principalmente quando esfaqueia Rebecca. Ele também aparece em 1960 confessando para seu irmão o assassinato da sua mulher, a avó de Rebecca. Mas quando Tommy passou os papéis de adoção e confessou o assassinato, Ray prometeu que ele nunca mais viria o filho e agora entendemos todo o ódio que vimos em 2012 entre os irmãos. Ainda sim, vale o registro de que Tommy pareceu ter sido obrigado por James a fazer tudo isso.

A Season Finale tipicamente se encerra com a protagonista na cama de um hospital e os médicos cancelando as tentativas de reanimação. Certamente os médicos do hospital não conhecem a milagrosa prata coloidal que cura rapidamente e também serve como localizador GPS embutido.

Os dois últimos episódios da 1ª temporada de Alcatraz foram bons (de certa forma), principalmente se levarmos em consideração todos os que foram ao ar até agora. O Garret Stillman teve um dos presos mais inteligentes de Alcatraz voltando em 2012 e conseguindo nos surpreender em alguns momentos. Tommy Madsen foi uma Season Finale com cara de final: um certo impacto, algumas cenas que empolgaram, segredos desvendados e mais algumas pulgas na orelha. No entanto não conseguiu causar aquela angústia que nos corrói por dentro até chegar a próxima temporada.

Desta forma, somando-se as baixas audiências e as várias opiniões que tenho percebido de reprovação à série, acredito que Alcatraz fique por aí mesmo. Mas se a Fox decidir continuar na luta eu vou seguir acompanhando, fiquei com uma certa curiosidade sobre como alguns pontos se desenvolveriam, ou talvez não seja curiosidade, mas um sentimento de que depois de acompanhar a série toda até agora eu merecia mais explicações. Acho que Alcatraz teria corpo para encarar uma 2ª temporada, mas para emplacar realmente, muito trabalho deveria ser feito em cima do roteiro da série.

Para mim o maior problema ficou com o trio de personagens principais: Rebecca Madsen, Soto e Hauser. Nenhum dos três foi muito desenvolvido e não ficamos sabendo quase nada da vida de cada um. Rebecca então, que deveria ser nossa heroína, mal arrancou alguma simpatia. Os casos normalmente não eram muito elaborados e normalmente de solução fácil, não deu nem para acharmos como eles eram bons investigadores. O affair de Soto com a médica legista Nikki não passou de uma ou duas indiretas na temporada toda. Rebecca, que pelas informações de divulgação da série deveria ser noiva do policial Jimmy Dickens (Santiago Cabrera), praticamente não teve outra vida a não ser procurar os 63’s. Falando nisso, Dickens está até agora na página da Fox na apresentação do cast do seriado, mas acabou só participando do episódio piloto. Outra prova de que a relação entre os personagens não foi muito trabalhada é no último episódio quando vimos a preocupação de Soto com Rebecca. Percebemos como eles se tornaram amigos, mas parece que o telespectador não participou disso tudo porque a relação dos dois não foi muito tratada no roteiro da série.

Hauser ainda ensaiou o romance dele com Lucy Benerjee (ou Dra. Sengupta), mas nem isso chegou a ser interessante. Quando finalmente Lucy acorda nos últimos episódios os dois não aparecem nem um pouco apaixonados, estão mais para pai e filha (já que Hauser não parou 50 anos no tempo). O que salva os dois é a bonita frase que Lucy diz a Hauser no final: “Se podemos sobreviver a metade de um século, viagem no tempo e uma bala no coração. O que poderia ficar entre nós?” Acredito que ainda sim faltou alma à Alcatraz e também aos seus personagens e isso impediu que quem assistisse a série se apaixonasse por ela.

No final, um dos pontos mais intrigantes foi o questionamento de Tommy para Rebecca. Se ela sabia como realmente seus pais tinha sido mortos, se Ray havia contado para ela. Foi o momento em que Rebecca titubeou e Tommy a atingiu, então não sabemos se foi só distração ou uma verdade que poderia ser uma linha de desenvolvimento na 2ª temporada (se ela existir). Agora é aguardar os próximos movimentos da Fox sobre a série, mas se Alcatraz for cancelada alguém ficará wonderstruck? Acredito que não.

Séries citadas:

é Jornalista, Publicitária, Gaúcha, Capricorniana de 84. Além de escrever no TeleSéries, trabalha como coordenadora de imprensa na Prefeitura de Taquari e assessora de imprensa no Campeonato Gaúcho de Rally 4x4. Fã de cinema, esportes, literatura, música e séries de televisão. Começou a assistir seriados com E.R. e Arquivo. X. Gostaria de ter estudado em Hogwarts, jogado quadribol e tomado cerveja amanteigada, mas se contenta com um gol do Grêmio e uma Heineken. Nunca ganhou um prêmio importante, mas já levou pra casa um Kikito de chocolate de Gramado/RS.

Website: http://www.alineben.blogspot.com

1 Comment

  1. biancavani

    Eu gostei da série e gostaria que tivesse a continuação com o desfecho, Pode não ter sido o máximo, mas, para ser franca, podemos contar nos dedos as que atingiram esse nível máximo. Há muitas outras por aí que já cansaram faz tempo (ex, Bones, Castle) e não tem mais nada de novo a contar.
    Seja como for, há atualmente um movimento de defesa do consumidor. As séries deveriam ser abarcadas por esse movimento: começou, tem de ter um fim, nem que seja de um só episódio. O argumento de ter grande audiência só contempla os produtores; não os consumidores. A audiência – seja qual for o índice – tem de ser respeitada.

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