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Acabou a greve dos roteiristas. Um balanço dos três meses

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Matthew Perry em ví­deo de campanha SpeechlessA greve acabou.

Depois de John Wells ter afirmado que o acordo foi o melhor que ele viu em anos, Michael Eisner dizer que a oferta era irrecusável e grande parte da imprensa “cantar a vitória” depois que a direção do Sindicato dos Roteiristas (WGA) sugerir aos membros que a greve fosse encerrada, ela oficialmente acabou.

A votação aconteceu nesta terça (12/2) e 92,5% dos roteiristas votaram a favor de voltar a usar seus cadernos e laptops. Os produtores executivos já estavam trabalhando desde segunda-feira (11) e agora podem convocar seu time de escritores para o retorno das atividades. Três meses e dois bilhões de dólares de prejuízo depois, a greve terminou. Mas a que custo…

Meses antes da paralisação, em novembro, a mídia especializada sabia da existência de uma possível greve, mas praticamente ninguém dava importância pro assunto. E mesmo quando o sindicato dos roteiristas optou por cruzar os braços, o fato continuava irrelevante. Até todos finalmente notarem a força que o sindicato possuia. Uma força que se revelou perigosa.

Talk Shows, sitcoms e o Saturday Night Live “tombaram” já na primeira semana. Os dias, as semanas e os meses iam passando até que os grandes sucessos de público fossem atingidos: House, CSI, Grey’s e outros seriados ficaram sem episódios e a grade americana virou refém da paralisação e mais do que nunca dependente dos reality show.

O que os grevistas reinvidicavam? Uma maior parcela nos lucros de seus trabalhos, em especial nas novas mídias, como DVD e Internet – que não são mídias exatamente “novas”, mas pouco discutidas em contratos – pois os roteiristas entendem que sem eles não haveria nada a ser produzido, nada a ser filmado. Muita gente não pára pra pensar nisso, mas é o óbvio: sem um roteiro, nada pode ser feito em Hollywood.

Depois de conseguir chamar a atenção, o WGA recebeu total apoio do SAG, o Sindicato dos Atores, pela causa. Vários vídeos invadiram a internet com atores de nome como Susan Sarandon e Sean Penn “interpretando” filmes sem texto. Antes mesmo disso, os rostos famosos da televisão fizeram questão de apoiar os colegas escritores nos piquetes feitos nas portas de estúdio (com direito a plaquinhas do tipo “estamos em greve” e tudo mais). Quando o público viu os rostos “familiares” nessa causa, passou a pensar que a greve era para o bem comum: o apoio foi geral e o grande vilão são os estúdios, que não querem pagar três centavos a mais por DVD vendido. Mas o acordo não chegava nunca e a paralisação se prolongando.

Furar greve nunca é algo bom. As pessoas se queimam quando procuram tirar vantagem nesse tipo de situação, e por isso quase ninguém se atreveu em furar o piquete. Quem o fez, como Ellen DeGeneres, ficou queimado. Os atores sabiam que se fizessem filmagens, mesmo com roteiros acabados, seriam mal vistos pela classe (os episódios filmados em novembro e dezembro receberam muitas vaias e protestos). E se há um certo receio de filmar, que é o trabalho deles, a coisa piora quando é pra participar de festas e premiações.

Temendo óbvias represálias futuras, os atores resolveram não comparecer ao Golden Globe, o termômetro do Oscar. No dia 7 de janeiro, o Golden Globe foi oficialmente cancelado.

A comparação não é pra ser levada à sério, pois estamos falando de entretenimento aqui, mas a população compreende greves de médicos ou policiais, por entender que eles merecem um aumento salarial… pelo menos até precisar ir ao hospital ou ser assaltado. Opiniões mudam de lado mais rápido que um piscar de olhos.

Com o Golden Globe, a opinião pública começou a virar. Se algo importante foi cancelado, só nos resta culpar o elo mais fraco. Pras massas, os estúdios que não cedem são irrelevantes: a culpa é dos roteiristas, que além de cruzar os braços, fazem pressão pra que todos participem de sua causa.

E então começaram os acordo laterais. O Late Show with David Letterman foi o primeiro programa a retornar: tantos os roteiristas podiam escrever as piadas cotidianas quanto os atores poderiam participar e serem entrevistados. Mas apenas no Letterman. Ir no talk show do Leno ou do O’Brian seria algo digno de “fura-greve”. A Marvel conseguiu uma folga para o roteiro de seus filmes, assim como a United Artists, produtora de Tom Cruise. Os acordos paralelos foram das coisas mais absurdas na greve: a união do sindicato foi quebrada para interesses pessoais.

Ninguém pensou nos camaremens, assistentes de produção e contra-regras. A indústria parou por três meses! Os atores precisaram fazer vaquinha para que o pessoal da produção não ficasse sem uma renda, já que milhares de pessoas ficaram sem receber porque o WGA insistiu em algo que, segundo estimativas, custaria menos do que o prejuízo com a paralisação.

Mas eles conseguiram. Para 7,5% do sindicato, o acordo não deveria ter sido aceito, mas a maioria gostou do que viu. Principalmente com o percentual que a categoria vai passar a receber com a transmissão em novas mídias. Mas a greve demorou demais. E foi pesada.

Nestes três meses, quem não conhecia a força de trabalho dos roteiristas deve agora passar a respeitá-los. Mas, provavelmente, muitos que eram favoráveis a greve devem ter mudado de lado, depois do WGA ter se mostrado bastante intransigente. Ou, quem sabe, depois de terem visto a teimosia capitalista dos estúdios (a NBC Universal chegou a abandonar a mesa de negociação), alguns passaram a apoiar os roteiristas no decorrer da greve.

Mas sabe o que mais? Isso não importa mais. O importante é que vamos ter nossos programas de volta. Finalmente. Isso, claro, se os atores não entrarem em greve. É sério… O sindicato deles vai votar isso em julho…

19 Comments

  1. Marcio

    Beleza, legal, viva… mas, em agosto tem outra greve vindo por aí, agora dos atores (e diretores, e cineastas). Vamos ver no que isso vai dar, no saldo das contas desse ano :D

  2. Fernando

    É, foi pesada mesmo.
    Por causa dos roteiristas malvados, não vamos descobrir porque o Tony Almeida ficou malvado de repente.
    O David Wells deve ser o segundo homem mais perigoso do mundo, depois do Bin laden.

  3. Marcio

    Opa, agora que eu notei o título: “Acabou a greve dos roteiristas acabou.” Tá sobrando palavra aí :D

  4. Luciano Cavalcante

    Perai! Diretores em greve? E o acordo que fizeram agora?

  5. Darth Cesar

    A greve podia ter sido evitada, pelo menos estamos salvos da próxima por um bom tempo.
    Comentário ingênuo, as séries que foram reduzidas devido à greve, será que vão ser vendidas com um preço mais baixo? Tipo a queridinha do momento, Heroes.

  6. Bruno Zamora

    ÓTimo balanço sobre a greve.

    Mas paraliSação é com “S”, e não com “Z” (erro repetido quatro vezes no texto).

  7. Rubens

    Sindicato nao tem tanta força assim diante do capital… Se forçarem demais, os estudios começarao aos poucos a trabalhar com roteiros produzidos por gente em outros países, por exemplo.

    Lembram dos metalurgicos e dos bancarios nos anos 80? Tanto forcaram a barra que as fabricas, aos poucos, comecaram a substitui-los por robôs, que saíam mais barato, ja que melhoravam a produtividade e nao causavam tantos problemas e prejuizos com paralizacoes. Ou seja: os metalurgicos sifu! Os bancos tambem se automatizaram aos poucos, e os bancarios igualmente sifu!

    A licao: se voce força demais, começa a tornar viável para a empresa substitui-lo, ja que voce sai caro e causa problemas demais.

    Esta greve, por exemplo. Alguem sabe dizer O QUE exatamente os roteiristas ganharam de importante alem do que ja tinha sido a última oferta anterior dos estudios, anunciada no final do ano passado? Na epoca os dirigentes bateram o pezinho com mais reinvidicacoes absurdas (como o sindicato controlar os programas de reality show), a NBC Universal compreensivelmente abandonou a mesa de negociacao até que o Sindicato desistisse dessas reinvidicacoes… o tempo foi passando… foi passando… gente foi demitida… projetos foram cancelados… E O SINDICATO BAIXOU O RABO ENTRE AS PERNAS e retirou todas as reinvidicacoes que causaram a saída da NBC, permitindo a volta das negociacoes.

    Sendo assim, ganharam exatamente O QUE, em relacao ao que ja tinha sido oferecido no final do ano passado?

  8. LuisaJones

    Atores em greve?
    Isso ta virando “farra da cachorra” viu!!!

    Pena que nos EUA nem tudo acaba em pizza…

  9. Julie

    Obrigadoooooooooooooo que acabou fico felizzzzzzzzz,mas se tiver greve de atores não dá isso ta virando modaaaaa,e para falar a verdade eles ganham muitoooo bem para fazer o que fazem.Se ocorrer a greve dos atores vai ser uma cachorradaaaaaaaaa federalllllllllllll.

  10. Josias

    Se houver greve dos atores tomara que as emissoras demitam todos eles…quem está contente com o que ta ganhando volta e quem ta infeliz, Tchauuu!
    Isso já é querer chamar a atenção, frescura no fiofó, isso sim!

  11. Lucas "Gandalf" Leal

    “Ninguém pensou nos camaremens, assistentes de produção e contra-regras. A indústria parou por três meses! Os atores precisaram fazer vaquinha para que o pessoal da produção não ficasse sem uma renda, já que milhares de pessoas ficaram sem receber porque o WGA insistiu em algo que, segundo estimativas, custaria menos do que o prejuízo com a paralisação.”

    acho que pra mim ai que está o grande erro do texto Thiago, custaria menos pra quem???pros roteiristas e/ou pros estudios, então pq os estudios não deram logo o que os roteiristas queriam???quem levou a greve longe demais foram os estudios, que não deviam nem ter deixado a greve acontecer…afinal as reivindicações eram justas e válidas…não sei quem saiu perdendo no fim, mas sei que a longo prazo os roteiristas conseguiram ‘salvar’ a profissão…
    [ironia mode: on]
    até pq em breve os roteiristas iam ser substituidos pelas máquinas igualzinho aos bancários!!! =D
    [ironia mode: off]

    sobre os comentários dos colegas aqui vou me abster pra não ser agressivo como foi das ultimas vezes que acabei postando por aqui…

  12. Eliane Moura

    Quem ganhou? Séries foram canceladas, outras séries tiveram o número de episódios diminuído e portanto, roteiristas e atores vão ganhar menos esse ano. O pessoal que ganha menos – motoristas, eletricistas, camareiras, ficou sem ganhar nada nesses meses. A NBC cancelou a produção de pilotos e vai economizar 50 milhões de dólares por ano e é claro que atores, roteristas, diretores vão deixar de ganhar dinheiro, sem contar que perdem a possibilidade de começar uma série nova. Todo mundo perdeu dinheiro e nós vamos perder a paciência com as reprises.

  13. Rubens

    Nada cai de graça do céu!

    É mais do que justo lutar pelos seus direitos!

    Se era pouco para os estúdios, então, pq os estúdios não resolveram pagar logo e evitar a greve?

    Fora que esperar um pouco mais pelos episódios de séries até parece coisa gravíssima, né?

    Ninguém tem vida própria? Trabalho, estudo, namoro, família pra cuidar, amigos etc?

    Algumas pessoas se comportaram como se fosse um cataclisma.

  14. Eduardo

    Concordo. Esse tipo de comportamento é fruto da mentalidade de consumo desenfreado. Quando alguém se deixa levar por isso, acaba se esquecendo que leva muito tempo e esforço para criar esse produto. É puro egoísmo querer tudo pra ontem.

    Fico feliz que a greve tenha se resolvido, mas se os roteiristas não tivessem ganho o que mereciam, pessoalmente não teria problema nenhum em ver a greve continuar por mais 3 meses, mesmo ficando sem a temporada atual.

  15. carlos Rafael Cândido

    Greve,por que? Sera que eles ganham tao mal assim e,depois isto so veria a prejudicar as produçoes,ainda bem que teve fim pois presisamos dos filmes,ou sera que nos teremos que escrever os roteiros.Eles nao presisam fazer isto pois ja faturam bastante com suas produçoes.

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