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Opinião

A comédia do ano

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Jenji Kohan e Elisabeth Perkins

Vocês sabem quem é Jenji Kohan? Eu não sei. Será que é homem, será que é mulher? Será que Jenji é oriental? Será que Kohan é judeu? Nem pesquisando no IMDB eu consegui descobrir. Este ser chamado Jenji Kohan co-produziu Mad about You, co-produziu Gilmore Girls e desde os anos 90 tem escrito roteiros para algumas comédias. Um episódio da primeira temporada de Gilmore Girls, um de Sex and the City, outro de Will & Grace, pouquíssima coisa, quase nada. Em 2004, Jenji Kohan criou The Stones, uma sitcom com a Judith Light (Who´s the Boss) que devia ser tão ruim que a CBS tirou do ar em menos de um mês. Eu tenho uma foto aqui da série, a Warner Channel tinha anunciado para a imprensa que iria exibí-la, mas acabou desistindo.

Pois Jenji Kohan criou a melhor série nova da temporada, a melhor comédia do ano, o programa novo que enfim tirou o meu fôlego e pelo qual eu aguardo ansiosamente para assistir toda semana. Jenji Kohan, que agora eu sei, é uma mulher – é esta tia que, na foto acima, ao lado da Elizabeth Perkins, parece um misto de Bete a Feia com a Nia Vardalos quando era gordinha –, é a criadora de Weeds, o melhor programa da TV paga na atualidade.

Weeds é uma comédia sobre a vida num destes típicos subúrbios norte-americanos que faria a Annabeth Chase de Close to Home ficar corada e se mudar para outro Estado. Talvez devesse ser comparada a Desperate Housewives, mas seria injusto: Weeds é ao mesmo tempo muito mais engraçada e muito mais dramática. Ou seja, as palhaçadas de Susan e o drama Gabrielle, por exemplo, não são nada perto dos diálogos amargos de Celia e da vida dura de Nancy. Onde Nip/Tuck é imoral, Weeds é amoral. E onde as outras são irônicas, Weeds é sarcástica.

Na verdade Weeds lembra um bocado o filme Beleza Americana. Mas vai além. Em Beleza Americana, Kevin Spacey representa um indíviduo que, no auge de sua crise de meia idade, tenta reinventar ou reencontrar sua identidade em meio as pressões da família e da sociedade. O faz largando o emprego, comprando um carro legal, puxando ferro, fumando maconha e quase seduzindo uma menor de idade. Em Weeds este modelo se multiplica. Aqui não há um Kevin Spacey. Há sim toda uma comunidade que, apesar de manter as aparências, busca uma fuga para a mesmice da vida. Eis que alguns pais consomem quantidades absurdas de maconha, ou traem suas esposas com a instrutora de tênis e todos, sem perceber, transmitem aos filhos suas disfunções. Weeds mostra uma América que vive de aparências. E mais. Mostra ainda que este desprezo as regras não acontece só em função de uma crise de identidade ou da busca pelo prazer. A mãe-traficante Nancy, construída magistralmente pela poderosa Mary-Louise Parker, está ali para mostrar que as regras da sociedade são quebradas também por necessidade. Porque o sonho americano já não é para todos.

Assistam. No GNT, todas as sextas, às 23h45.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

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