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5 Perguntas para Fernanda Furquim

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Fernanda FurquimMuito antes da explosão dos weblogs sobre séries de televisão, Fernanda Furquim já escrevia sobre seriados na Internet e na mídia impressa. A jornalista gaúcha editou o informativo TV Land e foi a criadora da revista TV Séries que até hoje, seis anos após ter saído das bancas, ainda tem admiradores e é lembrada como um dos melhores títulos do gênero no Brasil.

Depois de um tempo longe da Internet, ela voltou a escrever no weblog Revista TV Séries e como colaboradora do site RetroTV.

Fernanda atualmente faz Pós-Graduação em Crítica de Cinema pela FAAP, em São Paulo, e irá ministrar em São Paulo entre os meses de agosto e novembro o curso “Séries de TV: Emoções em Episódios”. Para mais informações, visite seu weblog e leia a entrevista abaixo, que abre uma nova seção no TeleSéries.

Você foi uma das primeiras a escrever sobre televisão da Internet e quando o site do TV Séries saiu do ar deixou muitos leitores órfãos. De um tempo para cá voltou a aparecer no site RetroTV e em um blog. O que te levou a parar? O trabalho de escrever sobre o tema cansa?

Fernanda – Comecei a escrever sobre séries em 1994, como colaboradora do fanzine ENPE. Depois, montei meu próprio fanzine, chamado TV Land que publiquei de 1995 a 1997. A resposta que tive do público me levou a transformá-lo na revista TV Séries, que publiquei entre 1997 e 2001. O site durou esse período, de 1995 até final de 2001. Nesse período fiz a faculdade de jornalismo. Eu era a pesquisadora, redatora e diagramadora da revista e do site, além de fazer as provas e os trabalhos da faculdade, culminando na minha monografia, a qual eu publiquei com o título de Sitcom: Definição & História. Tudo ao mesmo tempo, então eu posso dizer que entrei em uma espécie de esgotamento. Não tinha mais condições de manter tudo sozinha, apesar de contar com colaboradores como a Marta Machado e o Carlos Amorin. Na época era diferente, não é como agora. As editoras não apostaram na revista. Com relação ao site, dava muito trabalho mantê-lo sozinha. Eu parei porque precisava buscar trabalhos com salário, que pagasse minhas contas. Tirei o site do ar porque as pessoas ficavam me cobrando atualizações e também porque comecei a perceber que os textos estavam sendo reproduzidos e assinados por terceiros. Como não ganhava nada com aquilo, tirei do ar. Parei por cinco anos, mas fiquei por perto, acompanhando tudo. O RetroTV me fez o convite para voltar a escrever em uma coluna mensal. Era para eu ter começado no ano passado, mas não deu, então comecei esse ano. Já o blog eu faço mais para me divertir. Para colocar curiosidades sobre séries e atores e as pessoas gostaram e o visitam regularmente.

Hoje se costuma dizer que a TV americana vive uma fase de ouro. Você concorda com isto? A fase atual é melhor ou tão boa quanto a de outras épocas?

Fernanda – Na verdade, essa fase de ouro é mais no Brasil que nos EUA. Lá, as séries sempre foram bem na audiência, com raras baixas aqui e ali, mas sempre se manteve. É o filé mignon deles. É claro que a nova tecnologia está atraindo o público, mas os americanos sempre foram telespectadores vorazes de suas séries, se mobilizando e se manifestando, a ponto de salvar muitas produções do cancelamento ao longo dos anos. A diferença é que agora existe a Internet, que deixou de ser um bicho de sete cabeças, e com isso é possível manter contato com pessoas de outros países e saber como vai a audiência e os interesses, bem como ler notícias publicadas no dia sobre o assunto e a própria mídia brasileira é forçada a reconhecer a existência desse público porque a Internet possibilitou sua mobilização, então está aparecendo mais. Seria burrice um jornal ou revista não publicar alguma informação sobre uma série que é recorde de comentários na Internet e assim por diante. Também tem o DVD, que ao contrário do VHS, está lançando séries de TV no mercado, o que ajuda a conquistar um público maior. Antigamente isso não era possível, então estávamos isolados, tanto do resto do mundo quanto da própria mídia que nos taxavam de nerds e loucos, mesmo o jornalista sendo fã de alguma série. Ser fã de cinema era ser intelectual e saber apreciar arte, ser fã de séries era ser infantil ou retardado. Com a popularização na mídia, as pessoas não são mais ridicularizadas por serem fãs de alguma série. Me lembro que fui chamada de louca quando resolvi lançar a revista. Chegaram a me perguntar:” Quem vai comprar uma revista que fala só de séries? Quem lê isso?” Não foi fácil lançar ou mantê-la e mesmo quando ela terminou, levou um tempo até que as séries se tornassem mania nacional. Eu diria que o Brasil está vivendo hoje a mesma euforia que vivia nos anos 50 quando a televisão chegou e as séries eram exibidas uma atrás da outra. Chegavam aos lotes, mal estreava lá, seis meses a um ano depois já estavam começando a ser exibidas aqui. Em termos atuais, parece muito tempo, mas na época, isso era considerado rápido. A qualidade técnica melhorou sem dúvida, não dá nem para comparar, a possibilidade de se abordar mais abertamente alguns temas também é uma evolução. Mas em termos de criatividade ou de roteiros, não mudou muito, ao contrário, a televisão de hoje se alimenta da televisão de ontem.

Na revista TV Séries você dedicava muito espaço a seriados antigos. O que você acha desta onda de remakes, que começou com Battlestar Galactica e agora vai ganhar um novo capítulo com The Bionic Woman?

Capa de edição da TV SériesFernanda – As séries antigas sempre foram o carro chefe da revista porque as séries atuais vinham para o Brasil em menor quantidade. A TV aberta aboliu os enlatados, como eram conhecidas, em meados dos anos 80, e apesar de suas exibições atuais, ainda não é possível dizer que eles voltaram à programação normal da TV aberta. A época em que comecei a publicar a TV Séries, era o início da TV à cabo e apesar de canais como a Sony, a Warner, TeleUNO e o USA ter colocado logo de cara várias séries novas, em termos de quantidade ainda eram menor volume que hoje e as séries antigas ainda predominavam no consciente do público em geral. Também tinha o fato de que a TV a cabo não atingia um grande público, então não adiantava falar de programas que ninguém via e nem ia ver por um bom tempo. A Internet também estava engatinhando, embora mais rápido que a TV à cabo. Eu mencionava as estréias e mantinha uma seção com matérias sobre uma série atual, para que conhecessem, mas as antigas eram que faziam sucesso. Se hoje uma série antiga parece tecnicamente ultrapassada, na época não era e vibrávamos tanto quanto os fãs de hoje. Por isso, qualquer remake bem feito é bem vindo. Galactica está explorando mais a fundo o universo criado na série original que não teve tempo ou credibilidade do estúdio para se aprofundar na proposta. Já a Mulher Biônica, eu não posso dizer nada, porque ainda não vi, mas espero que traga um universo personalizado e não uma abordagem generalizada da super-heroína, que poderia ser vivido por qualquer uma, não necessáriamente pela Jaime Sommers.

O que você assiste atualmente na televisão?

Fernanda – Como pesquisadora do assunto, preciso acompanhar todas, algumas mais, outras menos. O fato das séries dramáticas e de aventura terem se transformado e uma espécie de novela, para garantir a continuação da audiência, dificulta quando se perde algum episódio. Não tenho nenhuma preferida. Acompanho as séries de TV desde criança e estudo o assunto há 25 anos, são poucas séries hoje que conseguem sair do padrão ou criar situações que a diferenciem de outras. Mas adoro o gênero e sempre tem alguma série ou episódio que te surpreende. Gosto de produções que me fazem pensar e não em produções feitas para impressionar o telespectador.

Você vai ministrar a partir de agosto o curso “Séries de TV: Emoções em Episódios”. O que os participantes podem esperar?

Fernanda – O curso surgiu da idéia de apresentar para as pessoas como o gênero se desenvolveu ao longo dos anos. As séries não surgiram com a TV a cabo, penaram muito para chegar no ponto que estão hoje, ou seja, comparáveis ao cinema. Acho importante os fãs do gênero conhecerem seu passado, para que possam desenvolver um olhar crítico, com base e consciência histórica do que está sendo feito hoje em dia na TV. Nos últimos anos tenho sido abordada por estudantes de Rádio e TV que demonstram interesse em escrever e produzir séries e vejo que eles não conhecem o gênero, a não ser as amostras que eles têm hoje em dia, e com isso não conseguem fazer uma conexão com o que já foi feito antes. É como o cinema: para se entender o que se faz hoje, é preciso conhecer sua história. Este é um curso inédito e uma proposta que venho tentando colocar em prática há algum tempo e agora surgiu a oportunidade. Nele, o aluno terá uma análise histórica e crítica sobre as séries. Não será algo feito para adorar uma produção ou uma época, mas para estudar, década por década, a evolução do gênero.

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

21 Comments

  1. Carolina

    Que bom que o TeleSéries entrevistou a Fernanda Furquim, uma das precursoras na divulgação de seriados de Tv no Brasil e talvez a maior conhecedora do tema do país. Parabéns pela iniciativa.

  2. Carolina

    Excelente idéia do TeleSéries entrevistar a Fernanda Furquim, uma das precursoras na divulgação de séries de TV no Brasil e talvez a maior conhecedora do tema em nosso país.

  3. Gisele

    Se ela resolver ministrar esse curso em Porto Alegre, serei a primeira a fazer a matrícula. Também pretendo fazer meu TCC sobre o assunto!

    Boa entrevista, parabéns!

  4. marcelo boff da costa

    por que não faz uma pesquisa sobre os gatões de 1979 a 1985 e se a como elas voltar as telas tanto na tv paga como tv aberta obrigado

  5. MARI VALADARES

    TIVE O PRAZER DE ENTREVISTAR A FERNANDA TB PARA O MEU SITE (www.poucaseboasdamari.com). SEI QUE ESSE CURSO SERÁ UM SUCESSO, O CONHECIMENTO QUE ELA TEM É GARANTIA DISSO.

    PARABÉNS AO TELESÉRIES PELA ENTREVISTA!!!

    BEIJOCAS
    MARI VALADARES

  6. Marcos

    O antigo site dela surtava a minha cabeça, parte do meu atual vício eu devo a esssa moça.

  7. milton

    apesar de não a conhecer,
    fiquei satisfeito em saber q existem pessoas q falavam sobre séries nesse nível de entendimento.

    como estudante de jornalismo,
    percebo q séries são tratadas como eternos enlatados e nunca reconhecidos pelo seu potencial artístico como os filmes, por exemplo.

  8. Lucas Barreto Gomes Leal

    “Eu diria que o Brasil está vivendo hoje a mesma euforia que vivia nos anos 50 quando a televisão chegou e as séries eram exibidas uma atrás da outra. Chegavam aos lotes, mal estreava lá, seis meses a um ano depois já estavam começando a ser exibidas aqui.”

    nem parece muito tempo, é o mesmo tempo que demora hoje, ou mais!!!
    ou seja mais de 50 anos passaram e os caras não aprenderam NADA!se investissem mais em séries iam ver que o custo beneficio é altissimo!e a tv a cabo avançou mto ultimamente mas poderia passar com um período bem mais reduzido!

    “Galactica está explorando mais a fundo o universo criado na série original que não teve tempo ou credibilidade do estúdio para se aprofundar na proposta.”
    fico feliz dela ter elogiado o remake de Battlestar Galactica!

    “Gosto de produções que me fazem pensar e não em produções feitas para impressionar o telespectador. ”
    talvez por isso ela goste de Battlestar Galactica ¬¬
    eu tb gosto de séries assim!!!

    e maravilhosa essa ideia do curso!!!parabens pra ela espero que seja um sucesso

  9. marcelo faria

    EU ACOMPANHO O SEU TRABALHO DESDE A ÉPOCA DA TV LAND E DEPOIS A TV SERIES, FIQUEI MUITO TRISTE QUANDO A REVISTA TV SERIES ACABOU
    ESTOU PERDIDO SEM A SUA REVISTA
    FERNANDA ESPERO QUE VOCE AINDA SE LEMBRE DE MIM
    ABRAÇO
    MARCELO FARIA
    RIO DE JANEIRO

  10. ticianascofield

    eu queria saber quando a serie prison break vai passar na tv aberta?

  11. ana padilha

    Gostaria de receber de Fernanda alguma resposta sobre a continuidade do lançamento em DVD no Brasil das séries: DALLAS, CASAL XX, ESQUADRÃO CLASSE A, pois não consigo contatar nem a Warner, nem a SONY, e, nem a UNIVERSAL sobre esse assunto.
    Ana

  12. Dr. Fred and Carolyn Eichelman

    Hey, we have been trying to contact the fabulous Fernanda. She visited our area of Virginia twice and as we are lovers of all things Brazil she brought us some lovely momentoes from the nation. Today a Brazilian friend on the Irwin Allen News Network eGroup gave me this and other web pages to make contact. We miss you and want to get back in touch. Not just Carolyn and I, but other friends you made here. Also understand there is a book out with another in the works.

  13. Kátia Senra de Oliveira

    Oi Fernanda! Bom dia. Só uma curiosidade, por acaso você têm parentesco com a família Caetano Furquim, lá de Vassouras RJ?
    Gostei muito do trabalho de todos! Tudo bem estruturado.
    Abraços.
    Kátia.

  14. PAULO AMARO JUNIOR

    OI FERNANDA. A ÚLTIMA VEZ QUE FALEI COM VOCÊ, FOI POR TEL. NA ÉPOCA VOCÊ FICOU DE ME DAR O CONTATO PARA EU COMPRAR SERIES ANTIGAS. SOU COLECIONADOR.
    FALTA ALGUNS EPISÓDIOS DE ALGUMAS SÉRIES PARA COMPRETAR MINHA COLEÇÃO. GOSTARIA DE CONTAR COM SUA AJUDA. JÁ FIZ ALGUMAS COMPRAS COM VOCÊ, ANOS ATRÁS.
    ABRAÇOS!!

  15. givaldo nascimento

    Na minha opinião a melhor coisa que tem na televisão são essas series americanas nada e igual nem novela

  16. Hipólito Papaionus

    Olá Fernanda Tudo bem? Sou um grande fã seu e de séries de bruxas tipo Charmed e tenho algumas dúvidas você poderia me esclarecer? Como: sendo elas bruxas por que Numca tinham altar e nem uma ligação a uma deidade Wicca? E por que a Pru(Shannen Doherty) saio da série,?

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